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Newsletter DPE, janeiro 2015

Ano 2, nº 1, janeiro 2015

Ficha Técnica
Diretora: Ana Conde
Coordenação editorial: Manuela Barreto Nunes
Colaboram neste número: Ana Conde, Filipa Marinho, Manuela Barreto Nunes, Manuela d’Oliveira e Maria Xavier
Revisora: Ana Duro
Webmaster: Maria José Rodrigues

 

 

 

Sumário

Editorial

Tema do mês

Investigação

Utilidades

Leituras recomendadas

Ligações úteis

 

Editorial

 

Manuela d’Oliveira*

Docente do Departamento de Psicologia e Educação

 

A motivação no ensino superior 

Um editorial reflecte a opinião de alguém, neste caso particular a minha. Falar de motivação no ensino superior está a tornar-se cada vez mais difícil uma vez que, segundo a minha opinião, passámos de um período de “do it as you like” para uma fase robótica em que temos que simplesmente sobreviver respondendo às solicitações e exigências sempre prementes de quem veio para nos pôr na ordem! Não há tempo para ter tempo. Se não há tempo para ter tempo, como sentimos ainda motivação? A verdade é que a sentimos! Do lado dos alunos sentem-na para aprender, tirar um curso que lhes proporcione acesso à construção da sua vida … do lado dos docentes …. para passar a mensagem e auxiliá-los, aos alunos, na sua busca pela concretização das suas aspirações as quais, obviamente, já foram as deles, … para que o conhecimento continue a desenvolver-se ... revelando assim uma faceta do Instinto de sobrevivência da espécie? Talvez!

Por tudo isto, a premissa de que todos os alunos devem ser ensinados a apreciar as diferenças e similaridades do ser humano passa a estar mal contextualizada, podendo ser uma alavanca para o isolamento destes alunos, que irão sentir-se diferentes – que não o são -, com menores capacidades – que não as têm -, falhados – quando na realidade conseguem as mesmas coisas que os outros.

É que, literalmente, motivação significa o desejo de fazer coisas, se bem que para nós, psicólogos, seja um construto teórico que se usa para representar as razões das nossas acções, desejos, necessidades, ânsias, manias…… e muitas outras categorias do sentir e agir. Talvez a comunidade do ensino superior, no seu todo, deva seguir o conselho do primeiro Roosevelt para a manter viva:

“Mantem os teus olhos virados para as estrelas e os teus pés bem firmes no chão”. (1)

E talvez isto baste para continuar a alimentar a esperança de que o pêndulo do ensino superior engrene um balançar moderado, para um e outro lado do fiel.

Um bom Ano Novo.

(1) Theodore Roosevelt, Presidente dos Estados Unidos (1858-1919)

*A Doutora Manuela d’Oliveira escreve ao abrigo da norma ortográfica Portuguesa anterior à entrada em vigor do Acordo Ortográfico de 1990.

 

Tema do Mês:

Terapia Comunitária Sistémica Integrativa: o remédio está na palavra e no vínculo

 

 Ana Conde

Diretora Departamento de Psicologia e Educação

 

 

 

 

Maria Xavier

Docente do Departamento de Psicologia e Educação

Para o Prof. Doutor Adalberto Barreto, psiquiatra e antropólogo, a superação dos sofrimentos do quotidiano faz-se através da partilha de experiências. Quando a comunidade se torna um espaço de acolhimento, de palavra e de escuta, de vínculo, de respeito e de cuidado ao próximo, estão reunidas as condições para se prevenir a doença mental e para se promover o bem-estar físico e psicológico de todos. Esta é a base da Terapia Comunitária Sistémica Integrativa, onde se procura, ao invés de medicalizar problemas da existência, ajudar as pessoas a verbalizar as suas sensações e emoções, transformando-as em pensamentos transformadores, tornando-as mais protagonistas da sua própria história. Esta modalidade terapêutica foi criada numa das maiores favelas do Brasil, em Fortaleza. Partindo do princípio que cada um é mestre da sua própria vivência e cada história vivida é uma lição aprendida, o Professor Adalberto preconizou a organização das primeiras rodas comunitárias onde era proposta a troca e partilha da sabedoria de cada participante. E assim descobriu que quando a “Boca cala, os órgãos falam” e que o melhor “remédio” está na palavra e no vínculo. Hoje a terapia comunitária está integrada no Sistema Nacional de Saúde do Brasil, nos vários estados que o compõem. Está, de igual forma, difundida, não só por toda a América do Sul, como também em alguns países africanos, na Europa (na Suíça, França, Itália e Alemanha) e no Canadá. Inspirada no pensamento sistémico, na teoria da comunicação, na Antropologia Cultural e na resiliência, esta terapia tem, por todo o mundo, reativado os recursos e competências que todo o Ser Humano tem.

Rumo à internacionalização: Visita ao Projeto 4 Varas na Favela do Pirambu (Fortaleza Brasil) marca o início do protocolo de colaboração entre a UPT e a Universidade Federal do Ceará

O projeto 4 Varas foi fundado pelo Dr. Airton Barreto, um advogado, oriundo de uma família de doutores e engenheiros que certo dia decide ir viver para uma das maiores Favelas do Brasil, de forma a lutar contra a exclusão social e a discriminação. Começando por montar um pequeno centro de atendimento jurídico de apoio à população, cedo repara que as necessidades das pessoas vão muito para além das necessidades de justiça. Tocado pelas fortes carências e pelo sofrimento psíquico desta população, solicita recorrentemente ajuda ao seu irmão, psiquiatra, para apoiar os casos que para ele encaminha. Não tendo forma de responder a todas as solicitações e num esforço de aproximar a Universidade à Comunidade, o Professor Adalberto e os seus alunos de Medicina começaram a reunir as pessoas com sofrimento psíquico, por baixo de um cajueiro, no centro da Favela. 

 

O ambiente vivido nos primórdios desses encontros foi o mesmo que nós próprias (Ana Conde e Maria Araújo) vivenciamos nossa primeira visita ao projeto 4 Varas. Num ambiente de festa e de acolhimento, no interior de uma oca, fomos recebidas por brancos e negros, europeus e indígenas que se iam juntando para a roda comunitária. Ao som da guitarra do animador, tendo como pano de fundo várias rodas de dezenas pessoas, circundando uma teia de aranha, símbolo do vínculo social, fomos seduzidas pelas boas-vindas do moderador e as celebrações da vida dos presentes. Ouvimos histórias de sofrimento, emoções universais. E perante a pergunta do dinamizador: 'Quem já viveu algo parecido e o que fez para resolver?' assistimos a milagres humanos, onde várias possibilidades de resolução foram emergindo do grupo, num clima de aceitação, respeito pelo outro, relatos na primeira pessoa, acompanhados de sorrisos, cantares, lágrimas de comoção e abraços. No final, ao som da música “estou baloiçando, mas não vou cair”, porque ninguém mais permanece sozinha quando entra numa roda comunitária, percebemos que os espaços de escuta, palavra e vínculo são indispensáveis para todo o ser humano, especialmente numa sociedade veloz, cada vez mais individualista e desumanizada, onde as relações perderam a sua importância, as palavras e melodias deixaram de se ouvir e o toque deixou de ser reconfortante.  

Além do contacto com o projeto 4 Varas, berço fundador da Terapia Comunitária Sistémica Integrativa, a nossa deslocação ao Brasil permitiu ainda a obtenção da formação inicial necessária para a certificação em Terapia Comunitária e dar os primeiros passos no estabelecimento do protocolo de colaboração entre a Universidade Portucalense Infante D. Henrique e a Universidade Federal do Ceará (Fortaleza, Brasil), o qual enquadrará as atividades de investigação e formação neste método intervenção comunitária e prevenção da doença mental, inovador em Portugal. Durante o período de formação tivemos, de igual modo, oportunidade de conhecer a terapeuta comunitária Nicole Hugon, especialista em alcoolismo, terapeuta comunitária e formadora da TCI em Marselha (França), que se mostrou interessada e disponível para a realização futura de projetos de intervenção e investigação conjuntos, enquadrados na Associação Europeia de Terapia Comunitária Integrativa.

 

Investigação

Projeto CONBAPOB: Conhecer e Combater a Pobreza num Território Relegado e em Contexto de Crise: o Caso da Freguesia de Campanhã, no Porto

Este projeto-piloto, que nasce no âmbito da colaboração promovida pela Doutora Manuela d’Oliveira entre a Universidade Portucalense e a Universidade de Bristol, no contexto de um programa mais vasto aplicado desde há décadas no Reino Unido, será desenvolvido em Portugal em parceria com o Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. O que se propõe é um estudo de caso que pretende conhecer os mecanismos materiais e simbólicos, objetivos e subjetivos, de produção e reprodução de velhas e novas formas de pobreza num território carente de justiça espacial e em contexto de crise, mobilizando saberes e competências que permitam articular o diagnóstico e a avaliação de políticas públicas e ampliem espaços de possibilidades, identificando boas práticas passíveis de serem disseminadas. Para além da aplicação de um questionário, a pesquisa recorrerá a métodos de investigação participativa e devolução à população, dinamizando oficinas de arte, cultura e leitura. Tendo como investigador principal o Prof. João Teixeira Lopes, da FLUP, o projeto conta com a participação de vários membros do DPE, como a Doutora Marta Abelha, que será uma das core researchers, e as Doutoras Ana Conde, Manuela d’Oliveira e Manuela Barreto Nunes.

Utilidades

Biblioteca Geral: Novas entradas

(consulte a disponibilidade destas e doutras obras em: http://catalogobib.uportu.pt)

Cohen, R. J.; Swerdlik, M. E.; Sturman, E. D. (2013). Psychological testing and assessment. 8.ª ed. New York: McGraw-Hill Higher Education. ISBN 978-0-07-803530-2.

McAdams, D. P. (2009). The person: an introduction to the science of personality psychology. 5.ª ed. New Jersey: John Wiley & Sons. ISBN 978-0-470-12913-5.

Stauss, E.; Sherman, E. M. S.; Spreen, O. (2006). A compendium of neuropsychology tests: administration, norms and commentary. 3.ª ed. Oxford: Oxford University Press. ISBN 978-0-19-515957-8.

Michel, G.; Purper-Ouakil, D. (2009). Personalidade e desenvolvimento: do normal ao patológico. Lisboa: Instituto Piaget. ISBN 978-972-771-991-4.

Cone, J. D.; Foster, S. L. (2006). Dissertations and theses from start to finish: psychology and related fields. 2.ª ed. Washington: American Psychological Association. ISBN 978-1-59147-362-6.

Mertens, D. M. (2010). Research and evaluation in education and psychology: integrating diversity with quantitative, qualitative and mixed methods. 4.ª ed. Los Angeles: Sage. ISBN 978-1-4522-4027-5.

 

Congressos

 

IX Conferência Internacional de TIC na Educação – Challenges 2015
Local:  Instituto de Educação da Universidade do Minho
Data: 14-15 Maio 2015
Organização: Centro de Competência em TIC na Educação do Instituto de Educação da Universidade do Minho
Web: http://www.nonio.uminho.pt/challenges2015

 

14th European Congress of Psychology
Local:Building U6 University of Milano-Bicocca Piazza dell’Ateneo Nuovo, 1 20126 Milan
Data:07-10 Jun. 2015
Organização:EFPA (European Federation of Psychologists’ Associations).
Web: http://www.ecp2015.it/

 

INTE 2015: International Conference on New Horizons in Education
Local:Barcelona, Espanha
Data:10-12 Jun. 2015
Web: http://www.int-e.net/

 

37th ISPA Conference and XIIth National Conference of ABRAPEE
Local:Universidade Mackenzie, São Paulo, Brasil
Data:24-27 Jun. 2015
Organização:ISPA (International School Psychology Association)
Web: http://www.ispaweb.org/conferences/july2015/

 

The European Conference on Education 2015. ECE2015
Local:Brighton, East Sussex, United Kingdom
Data:1-5 Jul. 2015
Organização:IAFOR (The International Academic Forum)
Web: http://iafor.org/iafor/conferences/ece2015/

 

Education International 7th World Congress
Local:Otava, Canadá
Data:21-26 Jul. 2015
Organização:EI (Education International)
Web: http://www.ei-ie.org/congress7/

 

XIII Congreso Internacional Galego-Português de Psicopedagogia Universidade da Corunha
Local:Universidade da Coruña, Espanha
Data:02-04 Set. 2015
Organização:Universidade da Coruña e Universidade do Minho
Web: http://congresopsicopedagoxia.udc.es/

 

17th European Conference on Developmental Psychology
Local:Universidade do Minho, Braga
Data:08-12 Set. 2015
Organização:EADP (European Association for Developmental Psychology)
Chamada para propostas :até 05 Fev. 2015
Web: http://ecdpbraga2015.com/eadp.php

 

123nd Annual Convention of the American Psychological Association
Local:Toronto, Ontario, Canada
Data:6-9 Ago. 2015
Organização:APA (American Psychological Association)
 

 

1st International Congress of Clinical and Health Psychology with Children and Adolescents
Local:Madrid, Espanha
Data:19-21 Nov. 2015
Organização:AITANA (Grupo de Investigación Análisis, Intervención y Terapia Aplicada con Niños y Adolescentes)
Web: http://psicologiainfantil.umh.es/2015/en

 

As três revistas com maior fator de impacto em 2013, nas áreas de Educação Especial, Educação e Psicologia Social (fonte: Journal Citation Reports, ISI Web of Knowledge)

EDUCAÇÃO ESPECIAL

1.       AJIDD-American Journal on Intellectual and Developmental Disabilities (http://aaiddjournals.org/

2.       Journal Of Intellectual Disability Research (http://onlinelibrary.wiley.com/journal/10.1111/(ISSN)1365-2788)

3.       Journal Of Learning Disabilities (http://ldx.sagepub.com/)

EDUCAÇÃO

1.       Review Of Educational Research (http://rer.sagepub.com/)

2.       Educational Psychologist (http://www.tandfonline.com/toc/hedp20/current#.VL6hH9KsW2c)

3.       Journal of Research on Educational Effectiveness (http://www.tandfonline.com/toc/uree20/current#.VL6haNKsW2c)

PSICOLOGIA

1.       Advances in Experimental Social Psychology (série monográfica: http://www.elsevier.com/books/book-series/advances-in-experimental-social-psychology)

2.       Analyses of Social Issues and Public Policy (http://onlinelibrary.wiley.com/journal/10.1111/(ISSN)1530-2415)

3.       Asian Journal Of Social Psychology (http://onlinelibrary.wiley.com/journal/10.1111/(ISSN)1467-839X

 

 

 

Recomendações de leitura

 

 

McCullers, Carson (1987). Coração, solitário caçador. Mem-Martins: Europa-América.

Sinopse: "... Numa pequena cidade do Sul dos Estados Unidos, onde a industrialização vai misturando as suas amargas tintas de miséria à modorra da vida rural, uma série de indivíduos gravitam em torno de um surdo-mudo... A adolescente Mick fala-lhe dos seus anseios inconfessados, da sua paixão pela música, e chega a amá-lo com toda a indecisa poesia do polivalente amor da adolescência... Jake Blount, o rude militante-itinerante, diz-lhe as fraquezas que não diria a mais ninguém, e encontra na presença dele a clarificação de muita coisa obscura, a paz de alma e a fúria combativa. O Dr. Copeland, negro e reformador da sua gente, procura nele um deus desconhecido a quem empreste a fé que deseja ter na humanidade. Biff Brannon, compadecido e especulativo, hesitante entre o ascetismo e um vago amor quase incestuoso, pede-lhe amparo e concordância (...) Sem descritivo nem paisagem, a não ser em função das personagens, da ação ou do ambiente psicológico, Carson McCullers atinge um poder de impregnação quase mágico.” 

“Coração, solitário caçador” foi originalmente publicado em 1940 e obteve reconhecimento imediato. O romance foi adaptado para o cinema em 1968 pelo realizador Robert Ellis Miller, e a sua temática mantém-se atual, motivando para mais leituras de obras da autora.

 

 

Mertens, D. M. (2010). Research and evaluation in education and psychology: integrating diversity with quantitative, qualitative, and mixed methods. (4th ed.). Los Angeles [etc.]: Sage. Cota BGUPT: 001 M 538 r.

Sinopse: Tendo como principal objetivo ajudar a melhorar a qualidade da pesquisa e avaliação científicas, este livro parte da exposição dos principais paradigmas da investigação em Psicologia e Educação, incorporando os pontos de vista dos paradigmas neopositivista, construtivista, transformativista (teoria crítica) e pragmático na exploração dos métodos quantitativos, qualitativos e mistos, que são descritos em detalhe e com profusão de exemplos a partir de estudos reais. A obra está alinhada com os mais recentes standards da APA e da NCATE, colocando o acento tónico da abordagem que propõe em matérias relacionadas com a competência cultural e enfatizando os princípios expostos através de estudos sobre populações minoritárias e marginalizadas. Como bónus, inclui ainda um interessante capítulo sobre Revisão da Literatura. O livro é apoiado por um sítio web onde podem ser consultadas apresentações e ligações para artigos selecionados das coleções da SAGE: www.sagepub.com/mertens4e

 

Ligações Úteis

 

ABRATECOM (Associação Brasileira de Terapia Comunitária).

http://www.abratecom.org.br/eventos/evento10.asp

Sítio da Associação Brasileira de Terapia Comunitária, com acesso aberto a publicações científicas, tais como teses, artigos, livros e comunicações em atas de congressos, para além de informação sobre projetos, formação, etc.

 

DULWICH Centre: a gateway to narrative therapy and community work.

http://www.dulwichcentre.com.au/

Com interesse para Educadores Sociais e Psicólogos, o sítio da Fundação Dulwich, na Austrália, é dedicado à terapêutica pela narrativa e ao trabalho comunitário. Disponibiliza bibliografia variada e textos de apoio, para além de duas revistas científicas em acesso aberto: “Explorations: An E-Journal of Narrative Practice” e “International Journal of Narrative Therapy & Community Work”. Inclui ainda uma secção de canções de resposta às dificuldades e ao trauma, criadas no âmbito de diversos programas terapêuticos, bem como artigos científicos que apoiam esta estratégia de intervenção comunitária.

 

 

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