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Artigos da Newsletter Institucional outubro 2014

Nº39 – outubro 2014
Destaques

"Foi a corrupção que nos levou à crise"

Paulo Morais, vice-presidente da “Transparência e Integridade Associação Cívica”, que representa Portugal na rede global “Transparency International, abordou as questões metodológicas no estudo sobre a corrupção. No índice de perceção da corrupção a nível mundial, Portugal ocupa o 33º lugar, enquanto a Dinamarca, a Nova Zelândia e a Finlândia surgem no pódio dos países mais transparentes.

Afirma que “se Portugal não tivesse uma corrupção tão elevada, a taxa atual de desemprego seria de 4%” e não de 14%, como é atualmente. Para o docente da UPT, um dos principais rostos do estudo deste fenómeno, é claro que “foi a corrupção que nos levou à crise e não a crise que nos levou à corrupção”.

Está consciente que a mudança só chegará com uma estratégia global de combate à corrupção apoiada em três eixos. “Primeiro, através do aumento da transparência na gestão pública. O cidadão tem o direito de conhecer em detalhe o orçamento da sua Câmara Municipal e saber quanto e como o município gasta o dinheiro das suas contribuições fiscais. Segundo, a simplificação legislativa - sabemos que as leis são indutoras de corrupção. Terceiro, a Justiça tem de ser capaz de recuperar ativos por via do confisco. Se foi possível confiscar as fortunas de Ben Ali, Mubarak ou Kadhafi, porque é que não é possível confiscar os bens dos administradores e acionistas do BPN?” Acusa: “o poder legislativo não está no Parlamento, mas nas grandes sociedades de advogados que fazem os diplomas, no âmbito do Urbanismo, Ambiente ou Obras Públicas, em função dos interesses dos seus clientes e que, mais tarde, ainda são pagas para fazerem os pareceres das leis que elas próprias criam”.

Na última década, Portugal foi dos países que registou um maior decréscimo numa lista de 173 países, ordenados do menos corrupto ao mais corrupto, descendo de 23º para 33º lugar, fenómeno explicado por casos públicos, como as suspeitas de corrupção na Expo 98, na Ponte Vasco da Gama, no Euro 2004, no BPN, na aquisição de submarinos ou no BES.

O seminário “Medir a Corrupção: uma abordagem metodológica” realizou-se no último dia 22 de outubro, no âmbito da Sessão de Abertura dos cursos de 2º ciclo e de Formação Avançada do Departamento de Economia, Gestão e Informática.

"A Escola deve ser inclusiva e promover a ascensão social"

David Rodrigues, Professor Catedrático da Universidade Portucalense e Presidente da Associação Nacional de Docentes de Educação Especial, em entrevista à “Comunica UPT” fala da educação como “uma experiência precoce e muito significativa” e defende a sala de aula como uma oportunidade de inclusão, equidade e mobilidade social. “Foi isto que se passou com muitas das pessoas que agora têm responsabilidades no nosso país: se não fosse a escola teriam a mesma profissão e a reduzida influência social que tiveram os seus pais”.

Comunica UPT: Há mais de 30 anos que se dedica ao estudo da Educação Especial. Quais as principais transformações que se verificaram ao longo deste período?

David Rodrigues: A Educação Especial sofreu grandes modificações nos últimos anos, mas saliento três. A primeira foi a desinstitucionalização que levou instituições e escolas segregadas a se abrirem à comunidade, deixando de ser estruturas fechadas e impermeáveis à sociedade. A segunda foi a mudança no conceito de pessoa com deficiência, deixando de estar centrado na dependência e na incapacidade para se preocupar com a participação e com a autonomia. A terceira prende-se com a revolução do movimento da “inclusão”, quando se tornou evidente que os ambientes adequados para as pessoas com deficiência desenvolverem a sua educação e a sua vida são os ambientes comunitários, em que não são privadas da interação com os outros e com as estruturas sociais.


Como é que a Academia e as instituições têm articulado o conhecimento e a prática?

A Academia continua mais preocupada com os pontos de partida teóricos e as escolas desenvolvem uma cultura de “praticidade” que, muitas vezes, rejeita a contribuição que não seja forjada no quotidiano. Mesmo assim estamos a dar passos decisivos para que esta antinomia se resolva, através de mais professores “de terreno” que se implicam em formação e de mais académicos que se interessam pela sala de aula. Deste encontro todos podem lucrar, sobretudo os alunos que podem ter professores mais apoiados e reflexivos e que possam emprestar às suas práticas uma melhor fundamentação e sustentabilidade.

Quais os desafios que hoje a formação em Educação Especial enfrenta?

A formação em Educação Especial enfrenta vários desafios. Tal como as restantes formações de professores, os professores de Educação Especial são formados, tendo por base modelos antigos e tradicionais. Quando dizemos que a escola do futuro terá que usar muito mais competentemente a cooperação entre os alunos, a sua relação com as tecnologias digitais, as novas formas de aprender, podemo-nos perguntar: onde é que os professores aprendem? É preciso que os professores sejam formados em modelos sintonizados com os ambientes em que vão atuar profissionalmente. A isto se designamos por “isomorfismo” da formação. Mas há também questões específicas associadas à formação de professores de Educação Especial. Por exemplo: muitos destes professores estão a ser formados sem uma integração em espaços profissionais, através de estágio ou de trabalho de projeto. E precisamos que os futuros professores aprendam em contextos reais e possam avaliar a complexidade do seu trabalho em situações válidas. A conferência integrou três painéis – “Enologia e Enogastronomia”, “Enoturismo e Rotas de Vinho” e “Casos de Sucesso”.

De que modo a educação poderá melhorar a equidade e a inclusão?

A boa educação é equitativa. Pensar que a excelência é o único critério para julgar a qualidade da educação é uma enorme falácia. Os estudos transacionais mostram que os melhores sistemas educativos são os melhores em equidade, isto é, aqueles em que a condição dos alunos é menos relevante e preditiva do seu sucesso. Portanto, a qualidade é igual à excelência mais a equidade. Um outro aspeto importante é pensar que a educação é uma experiência precoce e muito significativa. Por isso é tão importante desenvolver modelos equitativos e inclusivos nas nossas escolas, porque estas experiências ficarão gravadas nas atitudes e nos valores dos alunos. Mas esta melhoria não é automática: temos que procurar e lutar para que a escola seja uma oportunidade de inclusão e não de exclusão, de equidade e não de desigualdade.

Algum país o inspira pela política de Educação Especial e porquê?

Há muitos países que têm feito avanços neste campo. Lembrava, antes de mais, a Itália que, por decreto, acabou com as escolas especiais fazendo com que todas as crianças com deficiência e dificuldades fossem educadas na mesma escola pública. Foi uma medida muito corajosa e inspiradora para muitos países europeus. O Reino Unido desenvolveu uma reflexão sobre inclusão muito valiosa, “alimentando” esta ideia de inclusão com modelos, reflexões, ensaios e práticas que permitiram uma boa fundamentação. Lembro ainda os países nórdicos que muito precocemente desenvolveram modelos de normalização, integração e desinstitucionalização que foram muito inspiradores. Os Estados Unidos certamente têm um importante papel na criação de modelos educativos que deveriam usar “o meio menos restritivo possível” e ainda a preocupação de que “No Child left behind” (nenhuma criança deveria ficar para trás em Educação). À nossa dimensão, creio que somos também um país inspirado e inspirador. Com muitas carências conseguimos uma taxa de alunos com deficiências e dificuldades na escola regular de 97%, sendo um dos melhores registos do mundo.

Como gostaria de ver a Educação Especial em 2020?

Gostava que todas as crianças que frequentam a escola em Portugal tivessem o apoio que precisam para ter sucesso. Um apoio que fosse atempado e preventivo prestado por pessoas competentes, conceptualizado no quadro de uma “comunidade de aprendizagem”, em que todos os alunos aprendessem com todos, em que todos os professores aprendessem com todos e todos os alunos pudessem aprender com todos os professores.

Quais as motivações que o levaram à Educação Especial? São as mesmas de hoje?

Sei que hoje a minha preocupação é com os mais fracos, com aqueles que estão a ser acossados com a responsabilidade. Há tendência para responsabilizar os alunos – sobretudo os mais frágeis – pelo seu insucesso na sua educação. Isto é profundamente injusto. Precisamos de fortalecer as escolas com competências e com recursos para que ela possa assumir a sua responsabilidade de levar estes alunos mais frágeis mais à frente, levá-los a poder usufruir da escola como uma estrutura que lhes proporciona mobilidade social. Foi isto que se passou com muitas das pessoas que agora têm responsabilidades no nosso país: se não fosse a escola teriam a mesma profissão e a reduzida influência social que tiveram os seus pais.

Quais as características que considera essenciais a um profissional de Educação Especial?

Penso que estas características não são muito diferentes de qualquer outro professor. Acho que um professor no século XXI precisa de ser um profissional otimista, organizado, conhecedor, com facilidade de interação, competente e trabalhador. Por vezes, fala-se da paciência necessária para os professores de Educação Especial mas esta capacidade de negociar, é uma caraterística comum e essencial a todos os docentes.

A maior satisfação que a investigação e a docência lhe trouxe.

Antes de mais, é um poderoso meio de estímulo social e cognitivo. O facto de estarmos permanentemente a lidar com pessoas mais jovens, implicados em processos de aprendizagem e lidar com situações diversas, é um extraordinário incentivo para sermos agentes de mudança e de promoção. Nada é melhor para um professor do que encontrar um antigo aluno que diz “nunca me esqueço de algo que aprendi consigo”. Considero que tenho a melhor profissão que podia ter.


Vinho precisa de economias de escala para se internacionalizar

A transformação da região do Douro em destino enoturístico de referência internacional esteve em análise na conferência “Cultura do Vinho e Enoturismo” que trouxe à Portucalense profissionais de referência. A criação de sinergias e de redes de cooperação, a diversidade da oferta em associação com um vinho de qualidade e com notoriedade, são alguns dos fatores críticos de sucesso apontados.

O “chef” Hélio Loureiro começou por defender a necessidade de se “profissionalizar o serviço nas quintas, nomeadamente o atendimento e as provas de vinhos, e de promover o destino nacional no seu todo, em vez das regiões separadas, nos mercados internacionais”.

Já João Ribeiro, CEO da Quinta do Vallado, revelou que foi estrategicamente determinante para o negócio “abandonar a produção de Vinho do Porto a favor dos vinhos de mesa, captar a atenção da imprensa mundial, na área dos vinhos, e alterar as dinâmicas de oferta, encontrando no alojamento fórmulas que permitissem o contacto com o território e, simultaneamente, uma experiência que potenciasse o consumo”.

A cooperação de quatro quintas durienses na produção de vinho, no âmbito de uma estratégia de aumento de escala para internacionalizar, promover e comercializar os seus vinhos, foi apresentada por João Carvalho, Diretor da Douro Family Estates.

Filipe Mergulhão, CEO da Casal Agrícola de Cever, sublinhou as dificuldades associadas a um negócio de pequena dimensão no Douro e a importância da aliança entre o vinho e o Turismo, como forma de absorção de produções de pequena escala, enquanto Paula Sousa, Diretora de Enoturismo da Quinta Nova, destacou “as dificuldades de internacionalização do setor do vinho, associadas à carga fiscal, ao transporte, à competição nos mercados internacionais e à dispersão de marcas no Douro”.

A diferenciação do produto no mercado, através de técnicas de interpretação aliadas à paisagem agrícola, a adoção de escalas distintas para as visitas, as atividades de animação envolvidas, as aulas de prova ou a arquitetura, foram fatores apontados por João Falcão, CEO da VINITUR, como determinantes para o sucesso dos negócios de Enoturismo.


Congresso Ibérico “Entre a Psicologia e a Educação”

Entre 13 e 15 de novembro, a UPT será o palco do Congresso Ibérico “Entre a Psicologia e a Educação Especial”. O tema em debate será “Da Psicologia Clínica e da Educação à Educação Especial” e aprofundará a interdisciplinaridade da Psicologia, Educação e Educação Especial e analisar as respetivas estratégias educativas e interventivas.

Nuno Cravo Barata, coordenador científico do congresso, afirma que a iniciativa surge num momento de “mudanças significativas na adoção e utilização do conceito de deficiência, importando sublinhar a evolução clínica que procura investir e promover o conceito de incapacidade”.

O congresso dirige-se, em particular, a profissionais e estudantes das áreas científicas da Psicologia, Educação, Medicina, Enfermagem, Serviço Social, Terapia da Fala, Terapia Ocupacional, Fisioterapia, Ciências da Educação, Intervenção Precoce e outros Profissionais de Saúde e Educação.

As sessões de conferências, simpósios e comunicações escritas previstas irão decorrer em Português, Inglês ou Espanhol.



“A essência do sucesso é a motivação”

Pedro Ratola, estudante de Gestão, foi o vencedor do “Prémio XZ Consultores” ao conseguir obter 19,2 valores, a melhor média às unidades curriculares Organização de Empresas, Planeamento Empresarial, Finanças Empresariais, Análise Financeira e Projetos.

Pedro Ratola explica que não há uma receita mágica para ser o melhor, embora existam alguns fatores que influenciaram a vitória deste prémio, nomeadamente “assistir e participar nas aulas, estudar, fazer uma boa preparação para a avaliação e aproveitar as palestras, conferências e ‘workshops’ para consolidar conhecimentos”.

Escolheu “Gestão” pela “abrangência que atinge os diversos segmentos e áreas do mercado de trabalho” e pelo “fascínio” que revelou, desde cedo, pela economia, mercados e empresas.

Natural de Aveiro, Pedro considera que o curso é uma boa aposta. “Vai ao encontro das necessidades do mercado de trabalho e tem como suporte um corpo docente altamente competente e qualificado, motivado, dedicado e sempre pronto a responder às necessidades dos estudantes”, explica. Acredita que “a essência do sucesso é a motivação. Temos de estar motivados em tudo aquilo que fazemos, só assim conseguimos ter vontade de nos levantar todos os dias e encarar alegremente o que vamos fazer. Só assim podemos estar nas aulas com uma atitude proactiva e apreender o conhecimento. Além disso, penso que existe tempo para tudo, seja para estudar, participar em órgãos académicos e em associativismo, ou fazer o que mais gostamos”.

Aos 24 anos, o seu lema de vida é: “Os resultados só aparecem com trabalho, dedicação e espírito de sacrifício”.

Sublinhe-se que o “Prémio XZ Consultores” é atribuído anualmente ao estudante das licenciaturas em Economia e Gestão com a média mais elevada às cinco unidades curriculares acima indicadas. O vencedor ganha um computador portátil, a participação gratuita num conjunto de cursos realizados pela empresa de consultoria no valor de 500 euros e a orientação profissional durante um ano após a conclusão da licenciatura.


GIC procura voluntários

Sete estudantes da licenciatura em Psicologia e o docente Gil Nata constituíram o Grupo de Intervenção Comunitária (GIC), no âmbito da unidade curricular “Psicologia Comunitária” que está aberto à comunidade da Universidade Portucalense.

“Nesta primeira fase, o objetivo é fazer a mediação entre as necessidades de voluntariado das instituições de solidariedade social da freguesia de Paranhos e a capacidade de voluntariado da universidade”, anuncia Gil Nata.

“Começámos por proceder a alguns contactos junto de instituições para avaliar as necessidades específicas. Depois do primeiro levantamento de necessidades, foram realizados novos contactos para estabelecer pontes e divulgar e receber “feedback” sobre o projeto apresentado. Agora, gostaríamos de dar início à segunda fase do projeto, incentivando os membros da comunidade a juntarem-se e, dentro das possibilidades de cada um, darem respostas às necessidades dessas instituições”.




Percurso

“Os melhores têm sempre lugar”

Adriana Lopes foi admitida na licenciatura em Direito com a média mais elevada do ensino secundário - 16,6 valores -, o que lhe valeu uma redução de 50% do valor mensal da propina, ao abrigo das “Bolsas de Promoção da Qualidade” da UPT. Estudar intensivamente durante as duas semanas que antecedem a avaliação e nunca deixar para a véspera, é o seu segredo.

Adriana vive em Santo Tirso e escolheu estudar na Portucalense pelos comentários positivos que se habituou a ouvir por parte de dois amigos que estudavam Psicologia e Direito na universidade. A segunda razão prendeu-se com a razão pessoal de “não querer mudar de cidade” e os transportes serem, assim, fundamentais. “Quando vi o metro aqui à porta, decidi, é aqui!”

Veio para a universidade para cumprir os sonhos de ser “advogada e professora universitária” e quem sabe arriscar na “diplomacia”. Um mês depois após a estreia na vida académica, faz o balanço. “Gosto do ambiente e, ao contrário do que se diz sobre as universidades privadas que são fechadas, é tudo muito simples e informal. Sinto que há um tratamento igualitário e os professores são muitos próximos, o que não acontece muitas vezes nas universidades públicas. Tenho amigos que me dizem que lá ou aprendes à primeira ou tens que tirar as dúvidas no intervalo com os colegas”.

Adriana está ainda a explorar o “campus”, mas já tem o seu local de eleição: “o mais bonito é o Átrio do Infante e a esplanada é a mais divertida”. Indica que tem tido pouco tempo para estar envolvida nas ações de praxe, uma vez que tem aproveitado esse tempo para frequentar as aulas de condução.

Gosta de ler, acompanha alguns ‘blogs’ de moda e é fã da cantora Beyoncé não só pelo “talento”, mas também pelo “árduo trabalho” que revela e lhe é inspirador. Não planeia fazer o programa de mobilidade internacional “Erasmus” para já, mas não descarta a ideia se encontrar colegas que se proponham também a esse desafio. Está confiante em relação ao futuro, porque acredita que “quem tem conhecimento, é bom e se distingue terá sempre o seu lugar”.



COMUNICA UPT FICHA TÉCNICA

Periodicidade: Mensal
Coordenação Editorial: Ana Aires Duro
Email: comunicaupt@upt.pt

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